A Sagração da Primavera

estreia a 29 de Maio de 2010 no Centro Cultural de Belém - Lisboa

 

Co-Produção Companhia Olga Roriz / Centro Cultural de Belém

 

 

 

 

 

 

A minha Sagração

Apenas o facto de escrever ou deixar escapar-me da boca a conjugação destas duas simples palavras «a minha Sagração», me transtorna a mente, o coração, a flor da pele.
O tempo parece não ter passado desde que, ainda jovem, interpretei o papel da eleita do coreógrafo Joseph Roussillo no Ballet Gulbenkian.
O tempo parece não ter passado desde a primeira vez que vi, num minúsculo televisor, a versão de Pina e ter decidido nunca coreografar esta peça.
O tempo parece não ter passado desde a polémica estreia de Nijinsky/Stravinsky.
Mas o tempo passou e a obra perdura no nosso imaginário cultural.
O fascínio e respeito pela partitura foram determinantes para a minha interpretação, construção dramatúrgica e coreográfica da peça.
A fidelidade ao guião de Stravinsky foi, desde o início, o único caminho com o qual me propus confrontar.
No entanto, dois aspectos se distanciaram do conceito original. Visões personalizadas que imprimem à história uma lógica mais possível à minha compreensão, mais aprazível à minha manipulação.
Em 1º lugar concedi ao personagem do Sábio um protagonismo invulgar, sendo ele que inicia a peça. Ainda em silêncio e durante todo o Prelúdio habita o espaço solitário e vazio traçando nos seus gestos um percurso de premunição, antecipação e preparação do terreno para o ritual. A 2º opção, que se distancia drasticamente do conceito original, reside no facto de o personagem da Eleita não ser tratada como uma vítima no sentido dramático da questão. A minha Eleita sente-se uma privilegiada e quer dançar até sucumbir. Em nenhum momento se sente obrigada ou castigada nem o medo a invade. Ela expõe a sua força e energia vitais lutando cegamente contra o cansaço.

Olga Roriz
10 de Maio de 2010

 

 

 

 

Direcção e Coreografia | Olga Roriz
Música | "Le Sacre du Printemps", Igor Stravinsky - interpretado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Cesário Costa (na estreia)
Cenário | Pedro Santiago Cal

Figurinos | Olga Roriz e Pedro Santiago Cal
Desenho de Luz | Clemente Cuba

Ensaiadora | Sylvia Rijmer

Professores | Teresa Rainieri, Victor Garcia, Sylvia Rijmer e Jácome Filipe
Intérpretes

Eleita | Marta Lobato Faria, São Castro

Sábio | Jácome Filipe

Adriana Queiroz, Alba Fernandez, Carla Weissmann, Catarina Câmara, Charlotte Goesaert, Eunice Freitas, Liliana Garcia, Marlene Vilhena, Marta Lobato Faria, Rafaela Salvador, São Castro
Bruno Alexandre, Bruno Alves, Filipe Baracho, Hugo Goepp, Hugo Martins, Jácome Filipe, Pedro Santiago Cal, Ricardo Machado, Ricardo Teixeira, Yonel Serano

Assistente de Direcção | Laura Moura

Assistentes de Cenografia e Figurinos | Maria Ribeiro e Miguel Justino

Montagem e Operação de Luz | Daniel Verdades

Operação de Som | Miguel Mendes / Nuno Oliveira

Produção Executiva | Teresa Brito

Direcção de Produção | Pedro Quaresma

 


 

 

 

 

 

 

 

*Fotografias de Rodrigo de Souza

 

 

Estrutura financiada pela Secretaria de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes