Esta Companhia, fundada em 1995 com o apoio financeiro do Ministério da Cultura / Instituto das Artes e dirigida pela coreógrafa Olga Roriz tem sido ao longo dos anos uma referência de qualidade profissional e artística no panorama nacional e internacional da dança contemporânea.

O que caracteriza e diferencia a Companhia Olga Roriz das demais está indissociavelmente relacionado com o facto de ser uma Companhia de autor e de esse autor, ao longo de 40 anos, ter criado uma vasta obra com um perfil, um estilo incomparáveis.

A Companhia Olga Roriz, criada há já duas décadas, veio consolidar a especificidade dessa obra, servindo de campo de pesquisa, experimentação e desenvolvimento do seu método criativo, consolidando a sua linguagem coreográfica com a forte vertente teatral e o seu apurado sentido estético, plástico e visual de todas e cada uma das suas peças.

Uma das características mais marcantes do trabalho da Companhia é a sua vertente pluriartística. Embora o corpo surja invariavelmente como expressão máxima do seu trabalho, aí se cruzam elementos de diferentes áreas artísticas. Os espectáculos da Companhia são o resultado de um processo criativo eivado de referências ao universo teatral, literário, cinematográfico, fotográfico e outros que parecem ser tangenciais à arte mas que actuam igualmente como fonte inspiradora e instrumentos de trabalho.

Este tempo de pesquisa funciona como um laboratório de criação artística onde ao lado de bailarinos se cruzam intérpretes de outras áreas e formações e se encontram artistas de diferentes gerações. Voltando à realidade incontornável do lugar que Olga Roriz, desde os finais da década de 70, ocupa no panorama da dança portuguesa, é de salientar que apesar da Companhia ter sido fundada em 1995 não começou de um início inexperiente, mas sim, deu continuidade a um percurso já solidificado e de reconhecido mérito artístico e profissional pelo público e pela crítica nacional e internacional.

Todas as obras da autora surgem carregadas de metáforas e imagens que fazem conviver mundano e inédito, amor e ausência, vida e morte, tragédia e humor e onde a fealdade não se mascara mas surge aos olhos com uma crua beleza e simplicidade. O método de trabalho das suas obras, desde o início da sua carreira até aos dias de hoje, questiona o papel da dança contemporânea no panorama cultural, conduzindo à reflexão sobre os seus limites, estrutura e objectivos.