A 14 de Julho de 1918 nascia Ingmar Bergman.
Poucos realizadores conseguiram encontrar profundidade no interior do ser humano.
Os seus sonhos cheios de pesadelos foram a base inspiradora de muitos dos seus filmes, onde nos quais espaço e tempo se desvanecem do real.
A impossibilidade de comunicação, a religião e a morte são as temáticas mais obsessivas de Bergman. No entanto, o que é mais importante na vida do  realizador é a comunicação que conseguimos com outros seres humanos: sem isso estaríamos mortos. A redenção, por vezes, aparenta ser o amor, mas sempre que as personagens parecem perceber isso, a luz é retirada do ecrã. Apesar de lhe interessar qualquer ser humano, seja homem ou mulher, Bergman não esconde gostar mais de trabalhar com mulheres, afirmando que são melhores atrizes, talvez porque têm uma relação mais aberta com a sua reflexão. A verdade é que as mulheres de Bergman não são um mito, elas existem em todo o seu esplendor e complexidade. As referências são esmagadoras, tanto na quantidade como na dificuldade de análise e interpretação de cada personagem.
É nessa visão do realizador que nos iremos inspirar, nesses homens e mulheres assustadoramente reais, na solidão em luta constante com o interior.

A meio da noite, sendo um espetáculo que se propõe abordar a temática existencialista do encenador e cineasta Ingmar Bergman, é simultaneamente uma peça sobre o processo de criação numa procura incessante de si próprio e dos outros.
Sete intérpretes encontram-se para partilhar as suas pesquisas sobre a obra do realizador e criarem, coletiva ou individualmente, cenas que possam integrar um futuro espetáculo.
À volta de uma mesa/ilha, fecham-se nos seus pensamentos, mergulhados nos computadores, nos livros, nos vídeos. Tudo nasce desse huis clos de criação: o som, a luz, as imagens, as ações e contradições, dramas, pesadelos e fantasmas. As camadas de representação acumulam-se, criando tramas dramatúrgicas onde se mistura a mentira com a verdade dos factos.

A meio da noite é uma profunda homenagem a Ingmar Bergman, aos atores dos seus filmes e aos intérpretes desta Companhia.

Olga Roriz | 10 Fev. 2018

“A imaginação devia sentir vergonha. É humilhante mas é também necessário. Todos os dias penso que este processo tem algo de fatigante, desagradável e, além do mais, de absurdo. Todos os dias prometo a mim próprio abandoná-lo porque ele não cessa de me irritar. Mas todos os dias rescindo a minha decisão e recomeço, rasgo o que já escrevi ou recomeço.

O prazer que sinto é vago mas persistente. Qual é o meu objetivo com estas imagens? Repito, qual é a minha intenção? Não sei, e jamais conseguirei saber com uma certeza mínima. É possível que, à medida que avanço, consiga uma justificação repentina. Tudo o que sei é que uma espécie de prazer de resolver uma situação me impele a fazer o que faço, o prazer de criar um espaço no meio de um caos confuso, de impulsos contraditórios, um espaço em que a imaginação e o desejo de rigor formal se cristalizam num esforço comum e numa concepção de vida que me é própria: o desejo absurdo e jamais satisfeito de comunicar e estabelecer relações, as tentativas desastrosas de quebrar com o isolamento e a distância.”

Ingmar Bergman | Excerto de guião de “Lágrimas e Suspiros”

Digressão

14 de Abr., 21h – antestreia
Festival de Música de Leiria, Leiria
27, 28 e 29 de Abr. – ESTREIA
Festival DDD | Teatro Nacional São João, Porto
4 de Mai., 21h30
Teatro Aveirense, Aveiro
14 de Jul., 21h30
Festival de Almada, Almada
12 de Set., 21h30
Teatro Municipal de Vila Real

 

14 de Setembro 21h30
Cine-Teatro Curvo Semedo
Espaço do Tempo, Montemor-o-Novo

15 de Set., 21h30
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
19 de Set., 21h30
Teatro Municipal de Bragança
23 de Set.
Festival Porto Alegre Em Cena, Porto Alegre, Brasil
5 de Out.
Festival de Dança de Londrina, Londrina, Brasil
19, 20 e 27 de Out., 21h
Teatro Camões, Lisboa
3 de Nov., 21h30
Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão
Digressão 2019
18 de Jan., 21h30
Teatro Sá de Miranda, Viana do Castelo
Jan., 21h30
Centro de Artes de Águeda, Águeda
15 Mar., 21h30
Cineteatro Louletano, Loulé

Ficha técnica e artística
Direção
 | Olga Roriz
Intérpretes | André de Campos, Beatriz Dias, Bruno Alexandre, Bruno Alves, Catarina Câmara, Francisco Rolo, Lígia Soares, Rita Calçada Bastos
Banda sonora | Johann Sebastian Bach, Erik Satie, Primal Scream, Michelle Gurevich, Franz Schubert, Frédéric Chopin, Piotr Ilitch Tchaikovsky, Dolf van der Linden, Erhard Bauschke, Giovanni Fusco, Jefferson Airplane, excertos sonoros do filme Metropolis (1927) de Fritz Lang, Persona (1966) de Ingmar Bergmar e entrevista a Ingmar Bergman
Seleção musical | Olga Roriz e João Rapozo
Cenografia e figurinos | Olga Roriz e Ana Vaz
Desenho de luz | Cristina Piedade
Vídeo | Olga Roriz e João Rapozo
Desenho de som | Sérgio Milhano
Apoio dramatúrgico | Rita Calçada Bastos
Apoio Vocal | João Henriques
Tradução e elocução em Sueco | Birte Lundwall
Assistente de ensaios | Ricardo Domingos
Assistente de cenografia e figurinos | Rita Osório
Fotografia | Alípio Padilha
Montagem gráfica | Paulo Teixeira
Pós-produção áudio e vídeo | João Rapozo
Montagem e operação de luz | Contrapeso
Montagem e operação de som | Ponto Zurca

Companhia Olga Roriz
Diretora e coreógrafa
| Olga Roriz
Produção e digressões | Ana Rocha
Gestão | Patrícia Soares
FOR Dance Theatre/Residências | Lina Duarte