“Insónia”, é um espetáculo dirigido por Olga Roriz para um elenco renovado e criado em parceria com a equipa criativa das peças anteriores. A ingressão de novos elementos no corpo de bailarinos renova pontos de vista e opções estéticas. Bailarinos de quatro nacionalidades: portuguesa, italiana, irlandesa e polaca foram o resultado da escolha de uma audição internacional.

A inspiração partiu de “A casa das belas adormecidas” um romance de Yasunary Kawabata, sobre a juventude a velhice, a beleza e o erotismo, o desejo e as memórias, onde jovens mulheres nuas, intocadas e intocáveis, dormem profundamente sob o efeito de poderosos narcóticos deixando, sem o saber, que o seu corpo seja contemplado por homens idosos em busca de uma pobre consolação para a perda de juventude.

Na introdução escrita por Mishima pode ler-se: “A casa das belas adormecidas é um submarino no qual as pessoas são apanhadas numa ratoeira e o ar que respiram está a desaparecer gradualmente” (…) O desejo prende-se inevitavelmente a fragmentos, e, sem nenhuma subjetividade, as próprias belas adormecidas são fragmentos de seres humanos avivando o desejo na sua maior intensidade”.

Após uma primeira leitura nos anos 90, Roriz tem agora, uma outra perspetiva desta obra, talvez mais distanciada e aberta, como se outras novas peças encaixassem no puzzle, formando ora uma paisagem desoladora da morte ora de uma beleza estonteante.

Uma reivindicação do lugar do corpo, da sua energia à sua fragilidade. O corpo intranquilo de carne exposta. A selvajaria de ser mulher ou de ser homem num mesmo mundo erótico.

A inexorável passagem do tempo, da solidão à angústia da morte. Um estudo sobre o feminino e o masculino o macho e a fêmea sem sexo definido, sem género.

Os primeiros meses de pesquisa e investigação sobre o tema de o Erotismo foi um tempo de leitura coletiva sobre obras essenciais de George Bataille, Otávio Paz, Audre Lorde e Camille Paglia.

Sendo o erotismo um conceito vago, não palpável do foro da imaginação, havia que concretizá-lo, intelectualizá-lo e para organizar esse pensamento foi importante a presença e as conversas de dois estudiosos na matéria, Potira Maia e Sérgio das Neves.

Deste primeiro período da criação produziu-se muito pensamento em forma de escrita. Este é um texto coletivo sobre o tema principal. “Erotismo é armadilha de todas as definições e interpretações. Erotismo é o jogo do solitário, é uma cela solitária que te irriga de liberdade enquanto te encerra na sua sombra e humidade. É uma forma de libertação. É instinto animal e simultaneamente humano, na ótica em que parte de um pensamento. É uma escolha do pensamento, uma tentação. É um jogo indireto de atração, não óbvio. A combinação entre o sensual e o sexual. É efémero como uma sensação. Tudo o que estimula a fantasia. Pode ser um olhar determinado. Um toque direto. Um argumento profundo. Um tom de voz forte. Um sorriso envergonhado. Um momento onde se perde a noção do tempo. Pode partir da imaginação e pode ser alimentado conscientemente pelo trabalho da mente em um jogo constante. Jogar Xadrez com alguém pode ser extremamente erótico.”

No entanto o erotismo não será o único tema a abordar nesta nova peça da COR. A igualdade de género, a questão do sistema binário, o lugar do corpo, a sua inquietude, a alienação, a vergonha, as heranças genéticas. Matérias feitas manifesto.

Olga Roriz
Fev. 2021

Direção Olga Roriz

Intérpretes Catarina Câmara, Connor Scott, Emanuel Santos, Marta Lobato Faria, Melissa Cosseta, Natalia Lis, Yonel Serrano

Concepção da banda Sonora
Olga Roriz e João Rapozo

Músicas Archive, Armand Amar, Bobby Diran, Brian Eno, Dimitra Galani, Eleni Karaindrou, João Hasselberg, Johann Sebastian Bach, Lucrecia Dalt, Nils Fraham, Peteris Vasks, Gloria Gaynor, Willie Dixon

Cenografia e Figurinos Olga Roriz e Ana Vaz

Desenho de luz Cristina Piedade

Edição de som João Rapozo

Textos Intérpretes

Assistência à criação Bruno Alves

Assistência de cenografia Pedro Jardim

Assistência de figurinos Ricardo Domingos

Estagiárias assistentes de ensaios
Clara Bourdin, Ieva Bražėnaitė

Direcção técnica e operação de luz Contrapeso

Montagem e Operação de Som PontoZurca

Direção de Cena Olga Roriz

Companhia Olga Roriz
Diretora e coreógrafa
 Olga Roriz
Produção e digressões António Quadros Ferro
Assistente de produção Ricardo Domingos
Gestão Magda Bull
Formação e Residências Lina Duarte